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Tradução através do emponderamento

By : Unknown



"A OMS orienta o aleitamento exclusivo durante os primeiros seis meses de vida do bebê, pela incontestável comprovação dos benefícios para o binômio mãe e bebê. Mas, essa afirmação que muitas vezes soa como um grande mantra na comunidade materna, muitas vezes deixa muitos fatores, que na vida real e no dia a dia com o bebê, podem não ajudar a mãe à lutar e pelo aleitamento do seu filho e ela pode se enfraquecer diante de tantos comentários e suposições que ouve no decorrer deste processo."

Vou falar aqui sobre o que as mães ouvem, e, ensinar como ouvir corretamente através do empoderamento:


1a Frase: "Seu bebê não ganhou peso com 1 mês de vida. Vamos realizar alguns exames, vou prescrever medicação ou vamos introduzir a fórmula!" (O que a mãe ouve: você tem feito algo de errado, seu leite é fraco e claro que precisa complementar. Tudo isso pelo bem do seu bebê!).

Escuta correta: Mãe, a pega pode estar incorreta e o seu bebê não está aproveitando todas os benefícios do seu leite. Corrija a pega, e se empenhe por uma mamada de qualidade. O bebê precisa esvaziar as duas mamas durante as mamadas para chegar no leite gorduroso (3). Para ele é um grande desafio, pois é fazendo força na sucção que se chega até ele. No começo, bebês são muito sonolentos, e você precisa constantemente incentivá-los. Coloque para arrotar ereto, insista para que esvazie as mamas. Ele nasce sim com o reflexo, mas ele aprende com você. Muito importante que você se cuide, que descanse junto com ele e que esteja totalmente voltada para ele neste processo. Assim, a amamentação acontece e o seu bebê cresce e ganha peso. Sei que não preciso tomar nada, usar nada, para aumentar a minha produção. Sei que preciso apenas cuidar de mim, me hidratar e descansar quando for possível.



2a Frase: "Seu bebê tem regurgitado muito? Volta todo o leite que mama? E ele tem menos de 2 meses? Vou introduzir um anti-refluxo". (O que a mãe ouve: meu filho tem refluxo, intolerância ao meu leite e provavelmente vai ser muito alérgico!).

Escuta correta: Mãe, é normal que até 2 meses, os bebês regurgitem muito, e isso pode se prolongar. Isso porque os bebês nascem com a válvula do esôfago imatura. Até os dois meses (idade em que a válvula acaba de amadurecer), é normal que o bebê tenha refluxo. Então, se você está produzindo muito leite, ordenhe antes das mamadas, isso vai ajudar no reflexo da ejeção. Bebês não sabem controlar a quantidade, eles vão aprendendo isso com o tempo, através da Livre Demanda. Sei que preciso controlar o fluxo do meu leite ordenhado e doando este leite neste momento. Sei que o uso de conchas pode causar fungos e mastites, dentre outras complicações. Irei fazer o processo corretamente, porque sei que o fluxo do meu leite irá se estabilizar.


3a Frase: "Seu bebê chora sem parar dia a e noite. Isso é fome, ele não está sendo alimentando o suficiente. Se você der uma mamadeira com leite e ensinar logo a chupar a chupeta, vai resolver o problema!". (o que a mãe ouve: "estou fazendo o meu filho sofrer de fome, acho que não vou conseguir amamentar ele. Se a chupeta e a mamadeira resolvem a necessidade dele, eu vou usar pelo bem dele!).

Escuta correta: O choro do seu bebê é a única forma dele se comunicar com você e se você observar, existem vários tons e expressões diferentes, cada um significando uma necessidade. Os bebês parecem que estão muito insatisfeitos nos primeiros três meses, na verdade, por causa do período da exterogestação. Ela é uma manifestação da urgente necessidade do bebê de sentir e vivenciar as sensações intrauterinas. Ele nasce prematuro, seu sistema neurológico é imaturo e ele se percebe como indivíduo após essa fase. O que ele precisa na verdade, é sentir a mãe: sua voz, seus batimentos cardíacos, seu cheiro, seu gosto, sua respiração... O uso do sling durante o dia e a cama compartilhada à noite, neste processo, ajuda seu bebê a se sentir seguro e tranquilo. E, quanto mais aninhado ele estiver, mas ele ficará seguro de que a sua mãe está por perto. 80% dos casos se resolvem com o apego seguro à mãe.


4a Frase: "Seu bebê troca o dia pela noite. Isso é normal. Se você quiser dormir, dê uma mamadeira cheia de complemento e ele irá dormir a noite toda! Ele chora de cólicas? Dê um remédio para as cólicas e corte muita coisa da sua dieta (as tradicionais)." (O que a mãe ouve: "eu preciso dormir, então se ele pode dormir à noite toda para mim é melhor dar alguma coisa para ele. Eu acho que aquela comida que eu comi ontem foi o que gerou as cólicas, vou restringir tudo!).

Escuta correta: Não se sabe ao certo ainda, porque bebês trocam o dia pela noite. A melhor forma de solucionar isto, é, também trocar o dia pela noite! Durma quando o seu bebê dorme, e acorde quando ele acordar. Talvez pedir ajuda para as pessoas da família pode ser fundamental. Elas querem ajudar com o novo bebê, então vou direcionar esta ajuda para o que eu realmente necessito. Sei que as cólicas fazem parte do processo da maturação do intestino do bebê e sei também que, se eu proporcionar uma qualidade de mamadas, o leite gorduroso irá ajudar a reduzir os episódios das cólicas, porque ele funciona como uma verdadeira "vassoura" limpando a parede intestinal de resíduos do leite 1(água) e 2(minerais). Não vou restringir minha alimentação que pode me deixar debilitada pela dinâmica da amamentação neste momento, mas vou cuidar para ter uma alimentação mais balanceada e saudável possível. E vou dar muito colo e amor, para que ele enfrente esta fase da melhor forma.


5a Frase: "Mãe, seu bebê não está crescendo e engordando, e, de acordo com a Curva de Crescimento, ele está abaixo da "média". Vamos precisar complementar a amamentação dele para que esse números se estabilizem!". (O que a mãe ouve: "Você tem um bebê abaixo da média! Por isso que percebi que o bebê da minha amiga está muito diferente do meu e que todo mundo da minha família fala que ele está magrinho e não está se desenvolvendo. Preciso fazer alguma coisa para aumentar estes índices!".

Escuta correta: Sei que os padrões estabelecidos para a criação da Curva do Crescimento é padronizada e que ela não considerou crianças de todas as culturas, servindo apenas para uma média geral de controle da população infantil. Sei também que o LM é gordura do Bem e que provavelmente não veremos bebês amamentados gordos demais. Sei que os benefícos são à longo prazo e vou em empoderar para explicar à minha família especialmente, o porquê da minha decisão em amamentar exclusivamente. Sei que existem diversos textos e artigos comprovados que explicam os benefícios. E claro, sempre irei ouvir a minha intuição materna: se o meu bebê está bem, se desenvolvendo, respondendo aos reflexos, irei confiar no meu leite materno, que é o melhor alimento que ele pode receber neste momento.


6a Frase: "Cuidado com o bico dos seios: se eles fissurarem e machucarem, utilize muitas pomadas e até o bico de silicone. Se não cuidar disso, pode virar uma grande problema para você!" (O que a mãe ouve: "eu não vou aguentar a dor dele amamentando e não vou oferecer o seio machucado até ele sarar. Vou usar o que me dizem para me livrar logo deste problema!).

Escuta correta: Sei que quando os seios fissuram ou sinto dor ao amamentar, alguma coisa está errada com a pega e preciso corrigí-la imediatamente! Sei também que o uso de bicos de silicone podem atrapalhar a amamentação pela confusão dos bicos e o uso de pomadas pode, além de obstruir os ductos mamários, deixar a mama escorregadia, atrapalhando a boa pega do bebê. Sei que preciso continuar amamentando, para evitar que o leite empedre e eu tenha mastites, sei que o meu LM tem um grande potencial cicatrizante e antibactericida e sei que preciso manter as mamas secas, tomando sol quando possível.


7a frase: "O cocô do seu bebê está com um aspecto estranho. Se ele sai esverdeado é porque ele sentiu muitas cólicas. Ele precisa fazer cocô todas as vezes que mama e xixi na mesma média. Se não está trocando muitas fraldas pode ser que ele está sofrendo com fome e ficará desidratado! Se ele não faz cocô à quase 10 dias, vai precisar usar supositório nele! (O que a mãe ouve: "se o cocô não sai sempre amarelinho e sem cheiro, algo de muito grave está acontecendo com o meu bebê. E eu preciso trocar a fralda à cada mamada!)

Escuta correta: Sei que observar as fraldas do meu bebê é necessário, porque ela me dá pistas importantes sobre como está sendo o processo de maturação do seu instestino, a qualidade das mamadas e a qualidade do meu leite materno. O cocô esverdeado é sinal de que meu bebê não está chegando ao leite 3, e como os leite 1 e 2 "podem estacionar" na parede intestinal porque são muitos leves, provavelmente ele sentiu a dor da cólica, mas não irei me desesperar com isso, porque sei que faz parte do processo de maturação. Sei também que o leite materno é toalmente absorvível pelo organismo e a ausência do cocô até 10 dias mais ou menos, me indica que o corpinho dele está aproveitando 100% de todos os nutrientes que estou oferecendo através do meu leite. Não vou usar supositórios, porque isso pode gerar traumas futuros e continuo me dedicando à qualidade das mamadas.


8a Frase: "Quando chegam nos 3 meses, eles mudam completamente. Começa uma guerra com o peito e parece que não querem mais mamar. Choram muito e ficam impacientes. Olha, não tem jeito, complemente com outro leite para ele saciar a fome. E dê a chupeta também, porque ele tem uma necessidade de sucção enorme e não pode ficar "pendurado" em você o dia inteiro!". (O que a mãe ouve: "como meu leite diminuiu e as minhas mamas não enchem mais quanto antes, pode ser que eu esteja deixando de produzir leite mesmo. Meu bebê suga muito as mãozinhas, os dedinhos, parece desesperado, acho que uma boa chupeta ortondôntica poderá acalmá-lo!").

Escuta correta: Sei que o meu bebê está passando pela Crise dos 3 meses e que isso acontece porque ele finalmente aprendeu a mamar, e sabe como extrair o meu leite, e ás vezes faz isso em 5,6 minutos. Sei também que agora ele está percebendo o mundo à sua volta e tudo pode distrair ele e assim, ele não mama com qualidade e pode ficar com fome e impaciente porque a amamentação não é tão rápida quanto a necessidade dele. O reflexo de sucção ainda é muito presente, mas sei que aos poucos, ele irá controlando isso com a oferta livre do meu seio, pois sei que ele sente o mundo pela boca e é através dela também, que ele encontra conforto para as suas emoções. Se ele colocar muito o dedo na boca ou ficar sugando tudo o que vê pela frente, vou me empenhar, quando estiver amamentando, em dar toda atenção, carinho e afeto que ele necessita. Vou conversar com ele, fazer contato visual e dizer que está tudo bem, e qua a mamãe estará sempre por perto quando ele precisar.


9a Frase: "Agora que passou dos 3 meses, coloca ele no berço e tira da cama de vocês. Se isso não acontecer, ele vai ficar manhoso e te fazer de escrava dele, mamando a noite inteira. Isso pode inclusive, atrapalhar muito a sua vida sexual". (O que a mãe ouve: "puxa, isso pode ter razão mesmo, meu bebê vai ficar dependente de dormir comigo e depois eu não vou conseguir adaptar mais ele no berço e no quarto dele. Preciso fazer isso também porque meu marido me cobra e não posso perder o meu casamento por isso).

Escuta correta: Sei que o processo da transição da cama compartilhada para o quarto do bebê é gradual, mas talvez com um arranjo, eu possa resolver as coisas, colocando o berço dele ao lado da nossa cama e assim, ele dormir no cantinho dele. Sei que ele precisa muito de mim ainda, e vou envolver o meu marido nessa necessidade, não descuidando de um tempo de intimidade com ele, onde posso criar soluções para atender os dois. Sei também que depois de 1 ano, gradativamente, posso ir fazendo a transição sem traumas, sem deixar ele chorando no quarto sozinho e sei que neste momento, quanto maior for a qualidade deste vínculo e da amamentação, mas ele se sentirá seguro e irá fazer a transição com a suas necessidades atendidas. Sei que é uma fase, fundamental para o seu desenvolvimento e crescimento e que fazendo isso, irei garantir um sono de qualidade no futuro, mas, sei também que cada bebê é único e vou estar atenta às reais necessidades do meu bebê. Sei também quer preciso estar muito atenta ás necessidades de um sono de qualidade e que dormir durante o dia, é fundamental para o bebê. Preciso auxiliar ele a chegar no sono profundo, controlando o reflexo de sucção após ele ter mamado, sei que ele não dorme completamente pela imaturação neurológica e que quando desperta, chora porque não se lembra que já havia mamado e está satisfeito. Posso então, dar de mamar, colocar para arrotar e deixar ele um tempo deitado no meu peito e, se mostrar que quer sugar, posso colocar delicadamente a ponta do meu dedo mínimo com a unha para baixo e suprir a necessidade de sucção, que passa rápido e o ajuda a dormir melhor, ai eu coloco ele na cama, ou berço, ou, deixo ele no sling para realizar minhas tarefas diárias.


10a Frase: "A sua licença maternidade está acabando e o melhor para o seu bebê não sofrer longe de você é ja ir introduzindo as papinhas e outros leites. Assim você trabalha em paz sabendo que ele não irá passar fome!" .(O que a mãe ouve: "eu vou introduzir logo outra alimentação para garantir que ele não irá sofrer com a adaptação com outro cuidador. Vou também deixar de amamentar porque vou ficar longe o dia todo: é melhor tirar agora para que ele não fique dependente de mim e sofrer muito por isso!").

Escuta correta: Sei que não é necessário interromper a amamentação neste momento de volta ao trabalho e não irei fazer isso, porque sei que o aleitamento materno continua sendo fundamental nos primeiros anos de vida do meu bebê. Sei que a introdução alimentar aos seis meses acontece em razão da necessidade de suplementação do ferro e sei que a maturação do intestino total do meu bebê está acabando de acontecer. Também sei que introduzimos alimentos aos 6 meses, porque o bebê já está sentando, e assim, seu esôfago é capaz de ficar ereto, facilitando esse processo. Sei que é plenamente possível dar continuidade ao aleitamento, porque posso ordenhar as mamas durante o dia, armazenar o leite e assim manter um estoque diário para que o meu leite seja oferecido ao meu bebê durante a minha ausência, e , quando ele estiver adaptado aos outros alimentos, posso deixar a amamentação para o período em que estivermos juntos e assim, eu continuar garantindo a qualidade de vínculo que é tão fundamental para ele neste momento de separação precoce. Sei também que o desmame natural é o melhor que posso fazer por ele, pois respeitando o seu tempo e sua necessidade pessoal, ele irá atravessar essa fase com segurança e confiança. E, por último, sei que posso fazer a transição direta de líquidos (àgua e sucos naturais, após um ano) tranquilamente para o copinho, finalizando em êxito, todo esse processo de proteção e cuidado através da amamentação.

Por: Simone De Carvalho

Livre demanda: o que é realmente?

By : Unknown


Resumo, feito por Bel Kock- Allaman, do capítulo "A frequência e a duração das mamadas", do livro Un Regalo Para Toda La Vida, do pediatra espanhol Carlos González.

Provavelmente, você já escutou que o peito se dá a demanda. Mas é fácil que lhe tenham explicado mal.

É muito difícil erradicar da nossa cultura essa obsessão coletiva com os horários das mamadas. Parece que sempre foi assim. Alguns, ao ouvir falar da livre demanda, acham que é um invento dos hippies e com semelhante despropósito vamos criar uma geração de selvagens indisciplinados.

Mas é justo o contrário, dar o peito à demanda é que sempre foi assim e os horários são uma invenção moderna. É verdade que algum médico romano já havia falado de horários, mas foi um caso isolado e naquele tempo as mães não perguntavam aos médicos como tinham que dar o peito. Praticamente todos os médicos do séc.XVIII recomendavam a amamentação a demanda (ou não recomendavam nada, porque, como a amamentação não é uma doença, os médicos não se ocupavam muito desse tema). Só a princípios do séc.XX começaram quase todos os médicos a recomendar um horário e mesmo assim poucas mães o seguiam, porque não havia saúde pública e os pobres não iam ao médico se não estivessem muito doentes. Só quando as visitas ao pediatras começaram a converter-se numa cerimônia regular, em meados do século passado, começaram as mães a tentar seguir um horário, com péssimos resultados.

Muita gente(mães, familiares, médicos ou enfermeiras) lê ou ouve isso de livre demanda e pensa: “Sim, claro, não é necessário ser rígidos com as três horas. Se chora 15 min. antes, pode-se dar o peito e também não é necessário acordá-lo se está dormindo”. Ou então: “Sim, claro, a demanda, como sempre disse, nunca antes de duas horas e meia nem mais tarde que quatro”. Tudo isso não é a demanda; são só horários flexíveis, que claro que não são tão ruins como os horários rígidos, mas continuam causando problemas. Livre demanda significa em qualquer momento, sem olhar o relógio, sem pensar no tempo, tanto se o bebê mamou faz 5 horas quanto se mamou faz 5 minutos.

Mas, como pode ter fome aos cinco minutos? Imagine que está criando o seu filho com mamadeira. Ele costuma tomar 150ml e, de repente, um dia, o bebê só toma 70 ml. Se aos cinco minutos, parece que tem fome, você dá os 80 ml ou pensa: “Como pode ter fome se faz só cinco minutos que tomou a mamadeira?”. Tenho certeza que todas as mães dariam a mamadeira sem duvidar um único minuto, de fato, muitas passariam mais de uma hora tentando meter a mamadeira na boca do bebê a cada cinco minutos. Pois bem, se um bebê solta o peito e ao cabo de cinco minutos parece ter fome, pode ser que só tenha mamado a metade. Talvez tenha engolido ar e se sentia incômodo e agora que arrotou já pode continuar mamando. Talvez tenha se distraído ao ver uma mosca e agora a mosca já se foi e ele percebeu que ainda tem fome. Talvez tanha se enganado, achou que estava satisfeito e agora mudou de opinião. Em todo caso, só esse bebê, nesse momento, pode decidir se precisa mamar ou não. Um especialista que escreveu um livro na sua casa no ano passado ou faz um século, ou a pediatra que viu o bebê na quinta passada e lhe recomendou um horário não podem saber que seu filho hoje, às 14:45 da tarde ia ter fome. Isso seria atribuir-lhes poderes sobrenaturais.

E qual o tempo máximo? É preciso acordá-los? Quantas horas podem estar sem mamar? Em princípio, as horas que queira. Um bebê saudável, que engorda normalmente, não precisa ser acordado. É distinto o caso de um bebê que está doente ou não aumenta normalmente de peso. Um bebê pode estar tão fraco que não tem força para pedir o peito. Nesses casos, é preciso oferecer o peito com mais frequência. Isso também pode aplicar-se aos recém-nascidos.

Quando o bebê dorme muito, muitas vezes não é preciso acordá-lo, mas sim estar atento aos seus sinais de fome. A demanda não significa dar o peito cada vez que chore. O choro é um sinal tardio de fome. Do momento que uma criança maior tenha fome até que chore podem passar várias horas. Do momento que um bebê tem fome até que chore podem passar alguns minutos, ou até mais, dependendo da personalidade do bebê. Mas é raro, que nada mais ter fome, comece a chorar. Antes disso terá mostrado sinais precoces de fome: uma mudança no nível de atividade (acordar, mexer-se), movimentos com a boca, movimentos de procura com a cabeça, barulhinhos, por as mãozinhas na boca...então, é quando se deve pô-lo no peito, não esperar que chorem. Se um bebê que está fraco porque perdeu peso está sozinho no seu quarto, fora da vista dos seus pais, é provável que dê estes sinais e ninguém perceba e ele volte a dormir por cansaço.

Dar o peito à demanda não significa que mame o que mame o bebê, sempre seja normal. Pois bem, também existem valores normais para a frequência e a duração das mamadas. O problema é que não sabemos quais os valores normais para o ser humanos. Porque o ser humano vive em sociedades, em civilizações, com nossas crenças e normas. As espanholas, há trinta anos, davam o peito dez minutos cada quatro horas. Não faziam o que queriam, o normal, mas sim o que havia indicado o médico ou o livro. Se no Alto Orinoco existe uma tribo que dá o peito cinco minutos a cada hora e meia, isso é o natural ou é o que recomenda o xamã da tribo?

Inclusive dentro da Europa há diferenças. Num estudo multinacional sobre crescimento dos bebês, observaram com surpresa que o número médio de mamadas ao dia aos dois meses de idade ia desde 5,7 em Rostock (Alemanha) até 8,5 no Porto, passando por 6,5 em Madrid ou 7,2 em Barcelona. Mulheres de cultura muito similar, que supostamente estão dando o peito à demanda. Como é possível que os bebês demandem mais peito num país que no outro?

A resposta é simples, mas inquietante. Acontece que a amamentação a demanda, o conceito em torno do qual gira esse livro não existe. Não existe porque os bebês não sabem falar. Se um bebê falasse, um observador imparcial poderia certificar: “Efetivamente, essa mãe está dando o peito à demanda”, porque às 11:23 a menina disse: “Mamãe, peito” e às 11:41 voltou a pedir, mas não lhe deu o peito até que pediu por terceira vez, às 11:57. Como os bebês não falam, fica a critério da mãe decidir quando está demandando ou não. Dois bebès choram, uma mãe lhe dá o peito no mesmo instante e a outra olha o relógio e diz: “Fome não é, porque não faz nem uma hora e meia que mamou, devem ser os dentes” e lhe dá um mordedor. Dois bebês mexem a cabecinha e a boca procurando peito. Uma mãe dá o peito, a outra nem percebe porque o bebê estava no berço e a mãe não o via. Dois bebês dizem: “angu”. Uma mãe pensa: “Ui, já acordou” e o põe no peito e a outra o olha embevecida e diz: “que lindo, já diz angu!”.

Por último, recordar que à demanda não só significa quando o bebê quer, mas também quando a mãe quer. É claro que as necessidades de um recém-nascido são totalmente prioritárias. Mas, à medida que o bebê cresce, cada vez sua mãe tem mais possibilidades de decidir quando dá o peito ou não. Vale ressaltar que um horário rígido é inadequado em qualquer idade e sempre convém que o bebê decida a maioria das mamadas. Mas não há problemas em adiantar ou atrasar um pouco alguma das mamadas.

Assim que, ao contrário do que muita gente pensa, a livre demanda não é uma escravidão, mas sim uma liberação para a mãe. A maioria das vezes pode fazer o que quer o seu filho, de modo que o bebê está feliz e não chora e portanto, a mãe também está feliz e não chora. E de vez em quando pode fazer o que ela quer. A escravidão é o relógio.

Bebês aparentemente impacientes e brigões com o seio materno

By : Unknown


Tenho lido muitos relatos esses dias de mães que se queixam dos seus bebês que parecem "brigar" com o seio. Os relatos são mais ou menos assim:
"Começa mamando, solta o peito, fica irritado, chora, parece empurrar o seio, se distrai, olha para a mãe...Volta a mamar, pára, olha para a mãe, dá uma risadinha, e solta novamente..."
Por que isso acontece?
O primeiro trimestre da vida de um bebê é rodeado por vários desafios: Em reconhecer a mãe, em praticar o processo de sucção, e em se conhecer como ser único. Sua percepção é limitada, onde uma vez que soltam do seio, não conseguem voltar para ele, se perdem. No final desse trimestre, passam a compreender algo que não seja apenas a sua mãe: o ambiente que vive, as pessoas que estão ao seu redor, sons, ruídos, movimentos...E, tudo isso leva à distração. Bebês são curiosos e atentos e estão despertos para captar todo esse mundo ao seu redor.
A concentração da amamentação começa a ser um desafio, onde antes, o seu foco de visão era o seio e o olhar da sua mãe. Mas, de repente, ele percebe que sua mãe não é a única pessoa em sua vida. E, a medida que crescem, tornam-se excelentes sugadores e passam a voltar sua atenção para o externo desta relação.
Essa é a primeira crise, que muitos pediatras chamam da Crise dos 3 Meses. E esse processo de "crises" continua... A próxima, é por volta dos oito meses, onde muitas mães afirmam que o seu bebê quer largar a amamentação, que rejeita o peito. Mas é apenas um desinteresse temporário, uma fase.
As mães acabam se desesperando neste processo, e geralmente se frustrando. Acreditam que não produzem leite suficiente, que o seu leite é fraco e até que o bebê realmente não gosta de mamar. E claro, essa pausa de sucção por parte do bebê, ou o "mamar pouco" reduz a produção de leite e ai, todos esses conceitos passam a ganhar mais força.
A Livre Demanda entra então neste processo como fator determinante para que a saga da amamentação continue. Quanto mais o bebê mamar, mas leite você irá produzir, e, com distração ou não, amamentar é extremamente prazeroso para o bebê, não importa a idade.
Essa distração pode ser "combatida" com um ambiente propício, e claro, se possível aconchegante e calmo (a noite é um momento excelente para isso). Uma voz suave materna é de grande ajuda. Somando a distração do dia, e distração também na fase da introdução dos sólidos, aos seis meses, geralmente se reduz as mamadas diurnas por conta da nova rotina e também, as mães ficam frustradas mais um vez, porque esse processo é lento e gradual e muitas relatam que seus bebês comeram meia colher de comida.
Mais uma vez, a Livre Demanda entra como salvadora neste momento, e, se um bebê tem o hábito de mamar a noite toda, ele acaba suprindo essa complementação em sua alimentação. E a mãe consegue descansar e dormir também, principalmente nas mamadas noturnas. Pense nisso! E fique tranquila que não desencadeia otites e nem cáries (mas, cuide da higiene bucal do seu bebê rigorosamente!).
Amamentar no sling pode ser também uma boa opção. Dependendo da posição que o bebê está dentro dele (deitado) a concentração á mamada se intensifica. O sling é um ninho muito aconchegante. A posição futebol (invertida) induz o bebê e olhar diretamente para você e sua cabecinha ficar apoiada em uma de suas mãos. Aproveite este momento para ter toda a atenção dele: faça carinho, converse, cante. Isso prenderá a atenção dele para você.
Todo este processo é natural e percebem como os bebês precisam ser treinados e orientados o tempo todo? Temos o grande privilégio como mães de direcionar e vivenciar cada fase desse ser que nos foi dado de presente e debaixo da nossa grande responsabilidade de cuidado, mas com uma alma pura e um espírito livre.
Fica muito mais fácil compreender a complexidade do desenvolvimento humano, entendendo cada uma dessas fases como processos de evolução e crescimento e assim, deixaremos de focar em processos de "crises". Não são crises, são evoluções sadias e necessárias.



Por Simone de Carvalho

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